GOG E MAGOG E A ASCENÇÃO DO EURASIANISMO

Vladmir Putin
Quando o Primeiro Ministro Russo Vladimir Putin, defendeu publicamente os valores da familia, criticou o relativismo moral americano, proibiu o gayzismo nos jogos olimpicos de inverno, aprovou leis para proibir a propaganda a favor do aborto e ainda convidou os cristãos perseguidos no mundo a se refugiarem na Russia, ninguém ainda havia percebido que o projeto Eurasiano que une a Igreja Ortodoxa Cristã Russa ao estado estava em plena marcha para sua consolidação.

Mas o que é o Eurasianismo? É uma doutrina ultra nacionalista tendo como principais teóricos Nikolai Daniliévski e Konstantin Leontiev. O movimento defende a a ideia de que a Russa não pertence a Europa, nem é parte da civilização ocidental, os russos e ucranianos, são segundo o Eurasianismo  os dois povos que podem ter suas origens traçadas até o terceiro filho de Noé, Jafé, formando uma linhagem direta, pura e perfeita com o período pos-diluviano e a formação das tribos de Magog (ou Gog), na terra de Rosh. Segundo o neoeurasianismo nenhuma outra nação tem uma linhagem tão próxima e direta à familia que herdou o planeta pos-dilúvio, nem mesmo os judeus.

As implicações de tal identidade como é expresso em Apocalipse sobre  Gog e Magog e seu papel no Armagedon aparentemente não importa muito para a identidade eurasiana. Seus antepassados ​​foram encontrados na Bíblia, e isso é o suficiente para lhes dar direito moral para estabelecer um imperio que, segundo eles salvará o mundo da decadencia moral. A ideologia eurasiana sobreviveu o período socialista ateísta que os bolcheviques defendiam, através das bocas das avós, e mães em contos de ninar aos filhos que imaginavam que seria possível substituir o governo soviético por uma ordem que desenvolvesse uma autoridade religiosa separada do decadente ocidente.

Putin, ao que tudo indica, parace perseguir o sonho de reconstruir o imperio Russo usando a mesma estratégia que Constantino usou para salvar o imperio romano. Usar a religião como propaganda para mover as massas populares, afim de unir a nação pelo apelo moral da missão do estado, e para justificar invasões e estabelecer o estado russo como o salvador da civilização moderna se opondo diretamente ao relativismo moral acusado corretamente de ser a causa principal da decadência da civilização ocidental pos-cristã.  Na visão Eurasiana o novo Imperio Russo não estaria invandindo nações mas salvando-as da auto-destruição.

No dia 4 de Outubro de 2011 em uma entrevista para a BBC Putin conclamou as ex-repúblicas soviéticas a uma "União Eurasiana":

“O primeiro-ministro russo Vladimir Putin convocou para uma "União Eurasiana" as ex-repúblicas soviéticas. Putin disse que eles se tornariam um grande bloco mundial e afirmou que a Rússia, Belarus e Cazaquistão já estavam indo adiante com a integração econômica. No entanto, ele negou que propõe recriar a União Soviética, afirmando que o novo bloco teria valores diferentes.”
Vladmir Putin e um mapa com os possiveis estados Eurasianos
Por novos valores o bom entendedor pode enxergar os valores ultra nacionalistas do eurasianismo. Na mesma entrevista que pode ser lida aqui http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-15172519. Putin disse que o objetivo da União Eurasiana é "criar condições reais para alterar a configuração geopolítica e geoeconômica de todo o continente em um efeito global positivo."  Rússia, Belarus e Cazaquistão, conforme Putin, já fazem parte da União em sua primeira fase, aquela que remove barreiras alfandegárias, também disse que o Quirguistão e Tadjiquistão respoderam positivamente ao convite.

A Igreja Ortodoxa Russa tem um papel mais popular nos planos eurasianos, o de mover as classes sociais em direção ao movimento. A Igreja Ortodoxa Russa que sobreviveu à cortina de ferro por sua rápida transição à condição de religião do estado possui dentro das chamadas nações euranianas cerca de 28.000 paróquias, a maioria na Federação Russa, Ucrânia e Bielorrússia, e soma mais de 135 milhões de adeptos ao redor do mundo o que faz dela a maior das Igrejas Ortodoxas em número de fiéis, e a segunda, depois da Igreja Católica, dentre as igrejas cristãs, números esses que somados ao poder estatal é suficiente para unir as nações eurasianas apesar das diferenças étnicas existentes.
Sede da Igreja Ortodoxa Russa
Os políticos e a classe dominante russa nutrem uma indignação aguda na aparente recusa do Ocidente em aceitar a Rússia como um parceiro igual. É a repetição de tais rejeições que seduz os políticos russos a se repousarem no conforto do eurasianismo que por sua vez lhes propoem uma nova era, uma nova identidade politica e até uma linhagem nobre, próxima e direta até o patriarca Noé.

Nesse contexto geopolitico a áproximação da Ukrania com a europa preocupa os políticos, a classe alta, a classe política e o Clero da Igreja Ortodoxa que tem na Ukrania 42 dioceses, com 58 bispos diocesanos, 8.516 sacerdotes e 443 diáconos e 35 milhões de fieis. Números que fazem da Ukrania pça insubstituível para o movimento neo-eurasianico, que em alguns segmentos filosofo-tológicos mais fundamentalistas é denominada abertamente de Magog, e filha de Gog, a Russia. A visão geopolitica do eurasianismo visa integrar além das terras do antigo Império Russo, os países eslavos periféricos que também se sentem marginalizados pela Europa, como também a Grécia e Turquia, terras do antigo imperio Bizantino. Vale lembrar que a Rússia tem há muito cobiçado Constantinopla e sua herança bizantina com o qual compartilha a águia bicéfala como  símbolo do estado.

Águia bicéfola Símbolo da Igreja Ortodoxa
O Império Bizantino (Império Romano do Oriente) foi um dos primeiros a adotar a águia bicéfala como o título representativo do império e do poder central no país. Na bandeira, o amarelo ao fundo representava a glória das guerras, vencidas pelos disciplinados exércitos gregos e pelos valentes e bons imperadores e generais. A águia bicéfala representa junto com a coroa o poder e a nobreza do Império Bizantino, que segura na pata esquerda um punhal, que representa a arma utilizada pelos exércitos para vencer as outras nações. E na pata direita a coroa que representa a potência (símbolo da unidade e integridade do Estado). A águia bicéfala chegou ao escudo do Império Russo em 1452, proveniente de Constantinopla que se tornou refúgio para os cristãos ortodoxos fugindo dos Otomanos que recentemente haviam tomado Constantinopla e seguiram para ocupar a Grécia.

Mapa teoricamente tenta situar Magog e seus aliados 
O primeiro plano e a mais atrativa das propostas eurasianas é formar um bloco capaz de contrabalançar e até dominar as demais zonas de energia principais da América, Europa e no Pacífico e consequentemente atrair os países petroleiros que em grande parte nutrem compartinham do mesmo rancor contra o ocidente pos-cristão e arrogante. Para alcançar respeito internacional, especialmente de seus potenciais aliados orientais, Putin não teme mostrar a força bélica russa. Nesse ano somente o governo russo aprovou 800 bilhões de dólares em gastos militares o que forçou a renúncia de seu ministro das Finanças, Alexei Kudrin, a estratégia de Putin era anunciar a verba militar precisamente quando o cambaleante governo Obama anunciava cortes profundos no orçamento de defesa dos EUA. A imagem de Obama no oriente é considerada fraca, quase um fiasco, o que encoraja mais ainda a Russia em seu projeto imperalista. Para quem viveu os dias em que Ronald Reagan venceu a guerra fria, hoje é testemunha que quem sorri por último poderá sorrir melhor.

O que Israel significa para o Imperio Eurasiano? Geopoliticamente Israel está no meio do caminho que une os povos Eurasianos. Uma possivel remoção do estado de Israel é justificada pelos teólogos eurasianos que fazem uma distinção muito sutil sobre o direito de ocupação da terra e a volta do povo Judeu para Deus. Segundo eles o direito de Israel de possuir a terra conforme profetizado está diretamente condicionado à conversão do coração do povo Judeu de volta à Deus, o que segundo eles não ocorreu dado ao estado secular e pagão do povo Israelense que reflete a mesma decadência que ocorre no ocidente pos-cristão. Se a teoria é estranha, sua observação é acurada, paradas gays, carteis de drogas, a constante banalização do aborto, o crescimento da impunidade e tudo mais que caracteriza uma sociedade em decadencia pode ser encontrado hoje em Israel, fato que para os eurasianos é suficiente para concluir que Israel não passa de um núcleo europeu em terras orientais plantada ali pelas nações ocidentais. Sendo assim, e dado que Deus sempre usou nações para julgar a um Israel caído, eles se veem chamados para servir à causa. Portanto até que Isreal seja guiado pela Igreja Cristã Ortodoxa a uma genuíno e verdadeiro arrempendimento, seu direito bíblico de possuir a terra está suspendido. Segmentos da Igreja Ortoxa na Turquia partilham de semelhante teologia e também de uma visão mais islâmica  que aceita  um ensino de que Israel apoderou de toda a terra que Deus lhes prometeu por meio de Abraão por mais de à 3400 anos, sob Josué e Salomão e que todas as três promessas que Deus fez a Abraão sobre a terra já se cumpriram a mais de 2000 anos atrás. Peço perdão por não entrar nos detalhes dessas correntes teologias e por não apontar os versículos bíblicos referentes por causa do carater informativo desse artigo.

Apesar das correntes filosóficas abrigadas no eurasianimo é o revanchismo contra o ocidente a sua principal caracterista observável. Não é raro encontrar postagens de jovens russos eurasianos clamando vingança ao índios americanos, de descendencia eurasiana, conforme também publicado pela National Geographic aqui: 

Um amigo judeu me enviou o link desse video sobre a ascenção de Gog e Magog: 



Os líderes da Europa que parecem estar atentos aos movimentos Russos na região demonstram por sua vez total desconhecimento das profecias bíblicas, as mesmas quais em que o próprio movimento Eurasiano se autoindentificam. Os nomes Gog e Magog foram tema de uma curiosa conversa entre o presidente Frances Jaques Chirac e George Bush que em certa altura lhe disse que quando olhava para o Oriente via "Gog e Magog” se movendo e as profecias bíblicas se desdobrando. Mas o que era Gog e Magog? Nem Chirac ou seu gabinete tinham a menor idéia do que se tratava, mas como sabiam que Bush era um cristão evangélico pediram que a Federação Francesa ligasse imediatamente para o Professor Römer, um teólogo especializado no Antigo Testamento da University of Lausanne, França para lhe consultar. Eu de minha parte me sinto honrado em ver um teologo sendo consultado por chefes de estado, com a ascenção do Eurasianismo já em curso, provalvemente veremos mais teologos sendo consultados. Já que o mundo civilizado terminará da mesma forma como surgiu, num grande evento de proporções Bíblicas.

Wesley Moreira