LIGADOS E DESLIGADOS NA TERRA E NO CÉU

O que Jesus quis dizer quando falou sobre “ligar e desligar”? Para entender, é necessário ter um melhor entendimento da formação e cultura judaicas do primeiro século.
“Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.” 

O que exatamente Jesus deu aos Seus discípulos autoridade para ligar e desligar? Primeiro, vamos examinar a escritura no contexto das escrituras ao redor. Mateus 18: 15-20:

“E, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva contigo um ou dois mais, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. E se ele negligenciar ouvi-los, diga-o à igreja; mas se ele negligenciar ouvir a igreja, que seja para ti como um homem gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Mais uma vez vos digo que, se dois de vós concordarem na terra quanto a qualquer coisa que peçam, isso será feito por eles por meu Pai que está nos céus. Pois onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles ”. 
Observe que Jesus faz essa declaração depois de dar instruções sobre um irmão que pecou contra outro. Primeiro, a pessoa dever ir ao transgressor sozinha e tentar corrigir o problema. Se isso falhar, ele deve levar mais uma ou duas testemunhas e ir novamente ao irmão e tentar a reconciliação. Se isso também falhar, o irmão ofensor deverá ser levado perante a congregação e julgado por seus atos errados. 

Devemos ser capazes de ver por essas instruções que “ligar e desligar” é um assunto legal.

Se você é bom observador ou interpreta bem textos perceberá que o todo o capítulo de Mateus fala do mesmo assunto do começo ao fim, "de como devemos tratar aquele irmão que se ofende e peca contra nós, de como a igreja deve julgar o caso e de como devemos ter misericórdia do arrependido aceitando o de volta". Se você lê Mateus 18 como se fosse um apanhando de ensinos soltos, ou comentários avulsos e distintos, sem conexão, você não sabe interpretar textos. 

Jesus explica que a pessoa deve levar mais um ou dois para que “pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja estabelecida”. Esta é uma citação de Deuteronômio 19:15: 
“Uma testemunha não se levantará contra um homem por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, em qualquer pecado que ele cometer: pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, o assunto será estabelecido.” 
Novamente, isso envolve um precedente legal em uma decisão do tribunal ou, neste caso, uma decisão de liderança congregacional.

No sistema de tribunais judaicos, pelo menos três juízes (anciões ou irmãos em posição de autoridade) deveriam estar presentes para tomar uma decisão depois de ouvirem à duas ou três testemunhas do ocorrido, pelo menos. A maioria dos juizes, (dois ou três) tem que concordarenm com a decisão a ser tomada, assim, se dois dos juízes concordarem sobre um veredito, esse será aplicada com o respaldo do céu. Portanto, eles entendederam bem o que Jesus quis dizer quando disse “se dois de vocês concordarem na terra quanto a qualquer coisa”, Ele estava se referindo à maioria dos juízes concordando sobre o julgamento de um indivíduo dentro de uma congregação. Ao contrário do que se pensa, é bíblico julgar membros indisciplinados dentro da assembléia. 

Em hebraico, os termos traduzidos como “ligar e desligar” significam na verdade "proibir e permitir". Com isso em mente, a escritura em Mateus 18:18 pode ser lida assim:
Em verdade vos digo: tudo o que proibirdes na terra será confirmado no céu; e tudo o que permitirdes na terra será confirmado no céu.
Portanto, a interpretação correta do verso seria que se um irmão ou irmã dentro da congregação se recusar a se arrepender de sua má conduta, depois de um julgamento justo, a igreja pode “proibi-los” de participar da comunhão. Seguindo o mesmo espírito da Torah, em 1 Coríntios 5.1-13, o apóstolo Paulo pede que a congregação de Corinto expulse de seu meio um pecador manifesto e impenitente e recomenda que ele seja entregue a Satanás. No entanto, segundo Jesus, se o irmão ou irmã se arrepender, então eles terão “permissão” de permanecer na comunhão da congregação. Jesus afirma que a decisão tomada pelas autoridades competentes, diante da congregação, será reconhecida no céu.

Devemos ser capazes de ver com este exemplo que é sempre importante citar e usar as escrituras dentro do contexto apropriado. Para entender esse contexto, devemos estudar o contexto da escritura e a cultura judaica dentro da qual foi escrita.

Jesus confirma aos seus discípulos a mesma autoridade que Seu Pai já havia dado aos homens no Antigo Testamento (TaNaKh) e que era a autoridade para julgar legalmente os assuntos dentro da congregação. Quando este julgamento for feito corretamente, conforme descrito nas Sagradas Escrituras, então Deus reconhecerá do céu as decisões tomadas na terra. Como Paulo escreveu em 1 Coríntios 5:12,13: 
"Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro? Deus julgará os de fora. "Expulsem esse perverso do meio de vocês."

e depois 2 Cor 2:5: 

"É pois agora o momento de perdoá-lo e de lhe mostrar simpatia. Pois de contrário a amargura e o desânimo podem até impedi-lo de se reabilitar. Por isso, peço-vos que lhe testemunhem o vosso amor. ... Quando perdoaram aquele homem, eu perdoei-o também. E quando lhe perdoei tudo que havia para perdoar, fi-lo com a autoridade de Cristo para vosso bem, e para que Satanás não tome vantagem de tal situação, pois não ignoramos os seus processos."