OS SUPER APOSTOLOS


Se título fosse bom Jesus nos teria mandado "ordenar" ao invés de batizar. Tenho tremendas dúvidas dos benefícios espirituais provinda de títulos. O que vejo é a insegurança, vaidade e desejo de dominar se aperfeiçoam com os títulos. A cada dia inventam-se mais e mais títulos. Hoje aqui nos EUA o título acima de apostolo é "Doutor". No Brasil há a variação de Pai-Apostolo.


A ironia de tudo isso é que homens que fizeram historia através do Evangelho são conhecidos pelo seu nome próprio e não pelo título. Ninguém diz Pastor Moody, Mas D. L. Moody, ninguém diz Pastor Charles mas Charles Spurgeon, não dizemos Pastor Billy Graham, somente Billy Graham. Paulo, Pedro, Tiago, Estevão são chamados pelos seus nomes próprios e suas funções vinham depois; Paulo, o apostolo, em minusculo. Até mesmo Jesus é chamado por seu nome próprio. 

No grego das escrituras, a palavra apostolo está sempre no minúsculo, e vem antecendendo os nomes próprios. Pedro, apóstolo de Jesus Cristo... (1Pedro 1:1) e "Paulo, apóstolo de Cristo Jesus," (1Tim1:1) Essas menções da palavra apostolo com 'a' minúsculo, vindo depois do nome próprio se referem a uma função e não a um título. 

A única vez que nas escrituras que a palavra apostolo vem em maiúsculo, antecede o nome próprio e é usado como título é em relação a Jesus Cristo em Hebreus 3:1 "considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus," Quem segue essa regra no uso do título de apostolo se considera igual a Jesus, mas sem os cravos nas mãos, por sinal. 

Quero ser claro na minha posição. Paulo e Pedro se referiam a si mesmos como na função apostolica, mas nunca usurparam para sí o título de Apostolo que pertence a Jesus somente. Quando alguém usa o título de Apostolo com 'A' maiusculo antecedendo seu nome, comete os pecados de usurpação e blasfémia. Apostolo é o título daquele que morreu na cruz pelos nossos pecados. Pedro, o apostolo era servo do Apostolo Jesus Cristo. Há uma diferença em como a palavra apostolo era usada. 

Paulo que escreveu o livro de Efésios antes mesmo dos evangelhos serem escritos, diz em 4:11 "E ele deu uns como apóstolos," se referindo aos 12 apostolos de Jesus. A prova do que afirmo está em Apocalipse 21:14 "O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro." A menos que você acredite que o nome René Terra Nova ou Valdomiro Santiago estejam escritos nas portas da Nova Jerusalém eu sugiro que você me dê ouvidos. 

São doze os apostolos escolhidos por Jesus que representam as 12 tribos de Israel. São doze no inicio e são doze no final. Estará Jesus aumentando o número de portas na Nova Jerusalem para acomodar tantos outros nomes de Apostolos modernos?

Aos que teimosamente fazem menção dos ministérios em Efésios 4:11 se esquecem de ler que o verso 8 claramente afirma que se tratam de dons não de títulos. O texto diz que "deu" uns para apóstolos, do grego didōmi (passado) que indica que mesmo que os dons do Espírito Santo continuem ainda hoje, não o ofício de apóstolo. A Bíblia é bem clara sobre os 12 apóstolos do cordeiro, um número finito (Apoc 21:14, Lucas 6:13, Mateus, 10:2).

Se a posição de apóstolo estivesse 'aberta em um número indefinido', Pedro não teria convocado uma reunião e um sorteio para decidir entre dois homens, José Barsabas e Matias o Justo, sobre qual deles tomaria a posição de apóstolo deixada por Judas (Atos 1:23). Pedro viu que faltava comente 1 apóstolo. Se fosse uma posição aberta na igreja, Pedro não se importaria em que o número fosse 11 ou 13. 

Pedro no cenáculo, fez saber a todo crente as qualificações necessarias para que alguém se tornasse apostolo. Atos 1:21 "É necessário, pois, que dos varões 'que conviveram conosco' todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós, começando 'desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado para cima', um deles se torne 'testemunha conosco da sua ressurreição.' 

Qualificações para o apostolado segundo Pedro: 

1- Ter convivido com Jesus e ter andado com os discípulos 
2- Ter sido testemunha ocular do batismo de Jesus 
3- Ter sido testemunha ocular da ressurreição 
4- Ter sido testemunha ocular da assenção de Jesus aos céus 

O princípio por trás desses pre-requisitos mencionados por Pedro para ser apostolo era esse: '...pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra será confirmada...' Mateus 18:16, 2Cor 13:1. O poder do testemunho ocular dos feitos de Jesus possuiam um impacto extraórinário. No mundo do primeiro século todo caso, acordo, contrato e julgamento eram baseados em testemunhas oculares. 

De Pedro a Cornélio, "Nós somos testemunhas de tudo quanto (Jesus) fez, tanto na terra dos judeus como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro. Atos 10:39. E ainda Pedro se posiciona como apostolo quando escreve "... vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fomos testemunhas oculares da sua majestade." Por causa dessas mesmas pre-qualificações os apostolos originais de Jesus tinham problemas em aceitar a Paulo como apostolo. 

Pedro reconheceu o apostolado de Judas, ainda que essa tenha traído a Jesus, quando disse: pois ele era 'contado entre nós' e teve parte neste ministério. Dentre 120 pessoas somente duas se qualificavam para o apostolado. Somente duas preenchiam o requerimento de terem sidos testemunhas oculares de Jesus no seu batismo, ressurreição e assenção. Se qualquer dos 120 se qualificassem Pedro pediria que Deus indicasse dentro os 120 qual seria o novo apostolo. Mas foi somente sobre José e Matias que eles oraram pedindo a Deus "mostra qual destes dois tens escolhido para tomar o lugar neste ministério e apostolado," 

Paulo nunca foi reconhecido como apostolo pelos outros apostolos exatamente por não estar entre os discípulos quando Jesus estava presente em carne. Por esta razão ele se defende escrevendo que viu o senhor Jesus no caminho para Damasco. 1 Cor 9:1 "Não sou apóstolo? Não vi eu a Jesus nosso Senhor?" e ainda Galatas 1:1 "Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por intermédio de homem algum... " Pois os discípulos consideravam como apostolos somente aqueles que viram ao senhor encarnado, batizado, ressurreto e subindo ao céu. Está na Bíblia, só na vê quem não quer! 

Entre todos os discípulos, somente Pedro e Paulo, se auto-nominam apostolos nas escrituras. 

Das 22 vezes que a escritura se refere a Paulo como apostolo, somente duas pessoas o reconhecem como tal, ele mesmo e Lucas, seu companheiro de viajem. Nenhum dos onze e nenhum dos discípulos, nas escrituras, jamais se referiram a Paulo como a um apostolo. 

Sem sombra de dúvida, Paulo era um apostolo de Jesus Cristo, pois ele se tornou testemunha ocular quando o Senhor lhe apareceu na estrada de Damasco. Mas essa era a convicção pessoal de Paulo não a posição dos onze. 

Paulo mesmo confessa que não era reconhecido como apostolo em 1Cor 9:2 "Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos para vós o sou..." 

Eu questiono a igreja de nossos dias, se Paulo, que viu o Senhor na estrada de Damasco, teve problemas sérios em ser considerado um apostolo, com 'a' minusculo. Que faremos com os que hoje se auto intitulam Apostolos com 'A' maiusculo mas que nunca foram testemunhas oculares de nada sobre Jesus encarnado? 

Na Bílbia, apóstolo não é um supervisor de igreja. Apostolos foram os legisladores da nossa doutrina cristã. Dos apostolos recebemos a herança passada a Eles por Jesus descrita nas escrituras como o 'fundamento dos apostolos'. A reunião de Tiago e os apostolos em Jerusalem determinou os rumos da igreja gentia, essa é a função de apóstolo. Quando alguém se nomina apostolo ele se iguala em autoridade aos apóstolos da Bíblia. 

Se os apóstolos escreveram a maior parte do Novo Testamento, e os apostolos são para hoje, não poderia então os escritos do Waldomiro Santiago ter a mesma autoridade que as cartas de Paulo? Afinal, não são eles apostolos? 

O que impede que um desses 'apostolos' de tentar acrescentar algo à Bíblia? O que impede um desses apostolos de escrever uma carta à certa igreja e pedir que essa seja anexada a Bíblia? Parece uma impossibilidade, mas esse é o precedente que abrimos quando investimos pessoas de um título que faz referência à um ministerio distinto e único na historia do cristianismo. 

Sou educado o suficiente para respeitar o direito das pessoas de usar qualquer título que desejem, porém sou convicto o suficiente na palavra para saber que títulos são uma grande bobagem. O reconhecimento ministerial vem pelos frutos e não através de títulos. Assim eu escrevi no artigo "Título não cobre nudez": 

Paulo escreveu: "Os sinais do meu apostolado foram, de fato, operados entre vós pela constância de sinais, prodígios e milagres." (1Cor 12:12) - A autoridade espiritual traz o reconhecimento, e não o contrário. Temos hoje pelo mundo milhares de apostolos ordenados, mais do que em toda a historia da Igreja, e no entanto não temos 0,01% dos sinais e milagres e prodigios que persistiam diariamente na vida dos apostolos originais. Pelo contrário, os níveis morais da igreja evangelica moderna são os mais baixos da historia da Igreja. Algo está muito errado. 

Wesley Moreira