O SENHOR TRUMP VIROU NEOCON

Não demorou muito. Com o recente bombardeio da Síria no 100º aniversário da entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, o Sr. Trump nos empurrou um pouco mais perto da III Guerra Mundial. Só podemos especular exatamente por que ele fez isso, embora sem dúvida isso signifique que a aliança Progressista-neocon, com a intenção de afirmar sua influência em todo o globo, conseguiu cooptar sua administração em tempo recorde.

Libertários estão divididos nitidamente sobre Trump. Minha opinião, que pode ser vista até recentemente, como meu artigo anterior, era que Trump era um nacionalista anti-globalista que seria ruim em muitas coisas, mas pelo menos iria nos libertar dos neoconservadores e começar a “acalmar” a máquina de guerra. 

A menos que Trump drasticamente mude de rumo, essa esperança provavelmente desapareceu neste momento. Eu ainda acredito que aqueles que o criticaram como se ele fosse o pior autoritário de todos os tempos estavam sem noção. Trump não tem ainda feito tanto mal como seus antecessores, embora ele tenha pelo menos uns bom 3 anos e meio para superá-los. Se ele deixar a aliança progressista-neocon enganá-lo entrará na Terceira Guerra Mundial e centenas de milhões de pessoas em todo o mundo serão assassinadas no caos que se seguirá, ai então ele realmente entrará na história como um dos piores políticos de todos os tempos. Oremos para que isso não aconteça.
“Trump foi eleito como um nacionalista anti-globalista que libertaria o país dos neoconservadores e desmantelaria a máquina de guerra americana. É impossível dizer com certeza, mas há uma lição aqui para todos nós: você não pode colocar o Anel do Poder e esperar usá-lo para o bem. O mal ganhará, e você cairá. O único curso de ação é lançar o Anel no fogo do Monte Doom.”
Trump provavelmente entrou na presidência basicamente sendo sincero no que dizia: que ele era um nacionalista de linha dura e anti-globalista. Mas agora parece que as trevas de possuir um poder tão vasto tomou conta dele.

Talvez ele pensasse que poderia dirigir o governo como um negócio (uma impossibilidade em seus próprios termos), apenas para descobrir que lidava com incontáveis forças conflitantes, burocráticas e de interesses diversos cada uma puxando-o em suas próprias direções, levando-o a frustração e a raiva da dificuldade de aplicar sua agenda política. Afinal, a maioria dos CEOs não estão acostumados a ouvirem "não" ou serem perpetuamente frustrados. Talvez ele tenha concluído que ouvir aos progressistas e os neoconservadores, que sussurravam-lhe promessas aos ouvidos como vespas, era sua melhor opção de ser capaz de fazer alguma coisa.

Talvez se sentisse oprimido pela falsa propaganda que tentava involver sua campanha com um golpe eleitoral russo e temesse o impeachment, e este era o seu plano para virar aquela narrativa. Ou talvez simplesmente ele se entregou à tentação do seu papel.

É impossível dizer com certeza, mas há uma lição aqui para todos nós: você não pode colocar o Anel do Poder e esperar usá-lo para o bem. O mal ganhará, e você cairá. O único curso de ação é lançar o Anel no fogo do Monte Doom.

Todos os propagandistas habituais, muitos deles que se opuseram a Trump o tempo todo, agora parecem ser seus melhores amigos. Isso é trágico, mas não surpreendente. Mas o magnífico é quantas pessoas à direita não estão caindo nessa. Ann Coulter, Laura Ingraham, Nigel Farage e muitos outros estão se opondo fervorosamente às ações de Trump. Os neocons podem ter ganhado esta batalha, mas eles estão lentamente perdendo a guerra ideológica.

Certamente, alguns líderes cristãos, que nunca viram um pedaço de propaganda de guerra que não amassem, ainda se empenharam pra oferecer seus sacrifícios metafóricos e sangrentos no altar do deus Marte. Isto é tremendamente triste em si mesmo, mas ainda pior quando se considera todos os cristãos que serão assassinados pelos terroristas islâmicos radicais que inundarão a Síria assim que o colapso do regime de Assad deixar um vácuo político.

No entanto, é realmente notável como é diferente a atmosfera agora em oposição a todos os anos anteriores. Sim, o consenso trágico na Igreja Americana ainda é favorável ao belicismo, mas não tanto quanto costumava ser. Na verdade, um número surpreendente de líderes cristãos (especialmente os ministros e pensadores menos conhecidos) não estão pulando a bordo do movimento pela guerra. Às vezes, nossa perspectiva sobre o que se passa na Igreja pode ser distorcida por causa de algumas vozes mais altas, porém mais de 99% dos líderes cristãos não são aqueles famosos que normalmente ouvimos. E é nesta super-maioria silenciosa onde a maré está realmente mudando.

Na verdade, um dos desenvolvimentos mais fascinantes dos últimos dois anos tem sido como a credibilidade da mídia corporativa, a academia, a política e religião organizada está completamente deteriorada. Líderes desses grupos quase todos os dias lamentam a falta de confiança que o público tem em sua autoridade institucional. Ordems e instituições são muitas vezes boas, mas apenas quando servem bons e justos fins. O que acontece quando as autoridades e instituições que todos nós fomos ensinados a confiar como os guardiões da verdade se tornam mentirosas e cúmplices perpétuos? Não é de admirar que estão caindo aos pedaços? Por que alguém deveria fazer algo além de virar as costas e deixá-los entrar em colapso?

Isto é precisamente o que está acontecendo agora em uma escala global. Não importa quão duro a velha guarda tente, eles não serão capazes de parar isto. A mudança é inevitável, eo mundo será melhor por causa dela. Talvez então a Igreja finalmente reverta o erro constantiniano de 1.700 anos atrás e retome seu verdadeiro lugar como a cidade iluminada sobre uma colina que Jesus nos comissionou a ser.

Independentemente do que aconteça, continue sendo fiel a Cristo e ao Reino de Deus. Rejeite a propaganda de guerra. Rejeite a violência. Promova amor ao próximo e o amor ao inimigo. Pregue o evangelho, na estação e fora de estação. Repreenda, reprove e exorte seus irmãos e irmãs cristãos quando fizerem propaganda para o Estado e sua máquina de guerra. Nunca se esqueça de que há poder divino na verdade de Deus. Podemos perder algumas batalhas, mas o Rei Jesus já venceu a guerra contra o pecado, Satanás e a morte.

Nick Gausling, é Diretor Executivo do Instituto Cristão Libertário

Tradução: Wesley Moreira